Bob Wolfenson fala sobre o livro Setenta e Cinco

Como parte da comemoração do aniversário de 75 anos da Ray-Ban, convidamos o fotógrafo Bob Wolfenson para retratar pessoas nascidas entre os anos de 1937 e 2012. Algumas são personalidades que já conhecemos bem e outras, que ainda viremos a reconhecer. O resultado desse trabalho vai sair em breve no livro de edição limitada Setenta e Cinco. Enquanto aguardamos o lançamento da obra, batemos um papo com o Bob.
Como foi a experiência de participar desse projeto?
Eu já havia feito um livro em 1996 chamado Jardim da Luz. Era um livro de retratos, preto e branco, então para mim foi absolutamente natural. Fiz como se fosse algo pessoal. Não tive nenhum tipo de interferência, de injunção, ou de interdição. Muitas pessoas que fotografei são pessoas que admiro. Então foi muito bom, muito gostoso de fazer.
Algumas pessoas estão tanto no livro Jardim da Luz quanto no Setenta e Cinco.
Sim. Zé Celso [Martinêz Corrêa], Duda Molinos, Luiz Melodia, Ronaldo Bastos, minha filha Isabel... Deve ter mais gente, mas não me lembro de todos, faz mais de 15 anos.
Como você disse, muitos dos fotografados você não conhecia, já outros você tinha uma relação de amizade e até intimidade. Como é isso na hora da foto?
Não acho que o fato de ter intimidade com a pessoa agregue alguma coisa. Sou contra essa teoria da intimidade, que você capta a pessoa como ela é. Essa ideia da captação da alma... Não acho que a fotografia tem esse poder. Costumo dizer que o fotografo é um especialista em breves encontros. Ali naquele momento é um encontro entre duas pessoas e você não sabe muito bem qual vai ser o resultado. Tenho algumas constantes: minha luz, a minha câmera, o meu jeito de fotografar. Se a pessoa é muito tímida tenho uma estratégia, vou por um caminho para tirar as coisas dela. Muitas vezes exploro a própria timidez, acho importante que ela apareça. É isso que eu tenho de constante, o resto é variável. O resto depende da pessoa, de como ela vai se relacionar comigo, se ela vai aceitar ou não minha direção, como ela vai se dirigir para a câmera. O livro tem 75 pessoas e não tem uma foto igual a outra.
Para terminar. Quem são lendas para você na sua área de atuação?
Richard Avedon, Irving Penn, Helmut Newton. Esses são grandes lendas. É a tríade lendária da fotografia. Cartier-Bresson é uma lenda inimaginável.

Entrevista Bruno B. Soraggi
Fotos por Bob Wolfenson

Como parte da comemoração do aniversário de 75 anos da Ray-Ban, convidamos o fotógrafo Bob Wolfenson para retratar pessoas nascidas entre os anos de 1937 e 2012. Algumas são personalidades que já conhecemos bem e outras, que ainda viremos a reconhecer. O resultado desse trabalho vai sair em breve no livro de edição limitada Setenta e Cinco. Enquanto aguardamos o lançamento da obra, batemos um papo com o Bob.<br />
Como foi a experiência de participar desse projeto?<br />
Eu já havia feito um livro em 1996 chamado Jardim da Luz. Era um livro de retratos, preto e branco, então para mim foi absolutamente natural. Fiz como se fosse algo pessoal. Não tive nenhum tipo de interferência, de injunção, ou de interdição. Muitas pessoas que fotografei são pessoas que admiro. Então foi muito bom, muito gostoso de fazer.<br />
Algumas pessoas estão tanto no livro Jardim da Luz quanto no Setenta e Cinco.<br />
Sim. Zé Celso [Martinêz Corrêa], Duda Molinos, Luiz Melodia, Ronaldo Bastos, minha filha Isabel... Deve ter mais gente, mas não me lembro de todos, faz mais de 15 anos.<br />
Como você disse, muitos dos fotografados você não conhecia, já outros você tinha uma relação de amizade e até intimidade. Como é isso na hora da foto?<br />
Não acho que o fato de ter intimidade com a pessoa agregue alguma coisa. Sou contra essa teoria da intimidade, que você capta a pessoa como ela é. Essa ideia da captação da alma... Não acho que a fotografia tem esse poder. Costumo dizer que o fotografo é um especialista em breves encontros. Ali naquele momento é um encontro entre duas pessoas e você não sabe muito bem qual vai ser o resultado. Tenho algumas constantes: minha luz, a minha câmera, o meu jeito de fotografar. Se a pessoa é muito tímida tenho uma estratégia, vou por um caminho para tirar as coisas dela. Muitas vezes exploro a própria timidez, acho importante que ela apareça. É isso que eu tenho de constante, o resto é variável. O resto depende da pessoa, de como ela vai se relacionar comigo, se ela vai aceitar ou não minha direção, como ela vai se dirigir para a câmera. O livro tem 75 pessoas e não tem uma foto igual a outra.<br />
Para terminar. Quem são lendas para você na sua área de atuação?<br />
Richard Avedon, Irving Penn, Helmut Newton. Esses são grandes lendas. É a tríade lendária da fotografia. Cartier-Bresson é uma lenda inimaginável.<br /><br />
Entrevista Bruno B. Soraggi<br />
Fotos por Bob Wolfenson